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Alturas
[Madrid:
Nas Alturas]
De
qualquer forma, é bom dizê-lo, toda esta grandeza consegue
coexistir pacatamente com a Madrid castiza, aquela que se estende
a sul da Calle Atocha e onde as habitações debruadas
a varandins e marquises de ferro forjado definem um dédalo
de ruas estreitas e irregulares que trai a sua origem medieval. Numa
cidade em que a maioria dos três milhões de habitantes
são imigrantes, é ali que vivem os únicos madrilenos
merecedores do nome, os quais evidenciam ainda, em grande medida,
a vivência de uma família alargada.
Neste
casco medieval incrusta-se a , designação referente
ao conjunto de palácios e conventos erigidos nos séculos
XVI e XVII altura em que a austríaca Casa de Habsburgo
ocupou o trono espanhol , destinados a colmatar o notório
défice que a nova capital apresentava na matéria. Esta
arquitectura de tijolo vermelho e telhados de ardósia ornamentados
por capitéis tornar-se-ia emblemática do período
áureo da história de Madrid, quando se dizia que "aqui
termina a glória do mundo".
A
"Madrid de los Bourbon" é a referência
urbanística seguinte, e reflecte a expansão que a cidade
conheceu, a partir do século XVIII, sob a égide da dinastia
inaugurada por Carlos III. Este de inspiração francesa,
prosseguido na sequência das invasões napoleónicas
por José Bonaparte, é bem aparente na rede de grandes
e largas artérias que se intersectam rigidamente, nas fontes
de inspiração clássica, no triunfal arco da Puerta
de Alcalá, e, acima de tudo, no edifício do actual museu
do Prado, obra-mestra do neoclássico espanhol.
Há
ainda a que, embora não apareça nos guias, também
marcou a fisionomia da cidade.
Durante décadas, a de Madrid foi a Plaza de España,
no centro da qual a famosa estátua de Quixote e Sancho Pança
quase é esmagada pelo monumento a Cervantes, que sucumbe, por
sua vez, ante a volumetria dos primeiros arranha-céus erguidos
em Madrid, num arranjo revelador do gosto pelo capitalismo autoritário
evidenciado durante o regime vencedor da Guerra Civil.
Quanto
à Madrid democrática das últimas décadas,
e apesar de se ter assistido a um boom urbano sem precedentes, ela
caracteriza-se essencialmente pela recuperação do centro
histórico da cidade, que atingira alto nível de degradação,
e sua devolução aos habitantes. Este espírito
foi corporizado, na década de 80, pela lendária movida
madrileña, durante a qual, sob a presidência camarária
do socialista Tierno Galván, Madrid descobriu, encantada, ser
a capital mais excitante da Europa.
A
tendência hegemónica da cidade parece, contudo, estar-lhe
no sangue, já que, apesar dos recentes esforços descentralizadores,
Madrid é o incontestado centro político, financeiro,
económico, industrial e administrativo de Espanha e vem arrebatando
a Barcelona, nos últimos anos, a primazia na área cultural.
Como se tudo isto não lhe bastasse, a cidade ainda consegue
a proeza, graças à importância adquirida pela
língua castelhana à escala planetária, de se
autoproclamar como a capital da latinidade.
Mas
não julgue que Madrid se resume a todas estas honrarias, pois
esta cidade guarda um lugar muito especial no coração
para dois amores: a afición tauromáquica e a gastronomia.
Quanto ao primeiro, desengane-se também quem pensar que, com
o passar dos tempos, o carácter sangrento do espectáculo
possa haver-lhe conferido um estatuto politicamente incorrecto. Não
encerrar a tourada com a morte do touro é, para a maioria dos
madrilenos, um absurdo comparável a proibir remates à
baliza num jogo de futebol (nos últimos anos, tornou-se mesmo
comum avançarem-se persuasivos argumentos de índole
ecológica em favor desta paixão milenar).
Já
no que diz respeito à gastronomia, esta é igualmente
levada muito a peito em Madrid,
em particular na sua vertente relacionada com o peixe e o marisco
a ponto do humorista Gómez de la Serra se perguntar,
com alguma seriedade, . A resposta, segundo o dogma local, tem a ver
com o facto de Madrid, apesar de ficar a 300 quilómetros do
oceano mais próximo, ser .
É
por estas e por outras que, na capital espanhola, se conclui, de nariz
erguido, que . Uma honra que os madrilenos estão empenhados
em merecer, esforçando-se abnegadamente por levar desta vida
o melhor que ela tem para dar.
Agradecemos
a colaboração do Turismo Espanhol.
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