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L U G A R E S  C O M  H I S T Ó R I A


Mais do que um passeio cultural, a visita à Quinta da Regaleira, em Sintra, é uma viagem a um universo de símbolos e metáforas, presentes em toda a propriedade. Aqui nada é apenas o que parece, mas sempre sinal de algo mais forte, transcendente e misterioso.

Texto de Isabel Falcão
Fotos de Nuno Antunes
  


Sintra foi desde sempre considerada pelos vários povos como o fim do caminho, um ponto de chegada aprazível, rico em água e terras férteis e de clima ameno. Além do mais, Sintra sempre transmitiu fortes sentimentos telúricos. A forma serpenteante que entra pelo mar, a sua proximidade com os astros (o facto de nascer abruptamente de uma planície fá-la parecer mais alta do que é) e as árvores milenares tão apreciadas pelas civilizações druídicas conferiram à serra o cariz sagrado que, na Antiguidade Clássica, serviu de inspiração para a designação de Promontório da Lua.
Neste contexto, a Quinta da Regaleira apresenta-se como o mais significativo e imponente dos monumentos simbólicos edificados em Sintra.

Um percurso glorioso
A história da Quinta da Regaleira, como ela se apresenta nos nossos dias, começa em 1892, altura em que é adquirida por António Au-gusto Carvalho Mon-teiro. O Monteiro dos Milhões, epíteto que popularizou esta misteriosa personagem, nasceu no Rio de Janeiro em 1848, filho de pais portugueses. Herdeiro de uma grande fortuna familiar, multiplicada no Brasil com o monopólio do comércio dos cafés e pedras preciosas, este homem rapidamente se tornou conhecido pela imprensa da época graças ao carácter, simultaneamente altruísta e excêntrico, que o levou a gastar uma verdadeira fortuna na realização desta fantasia.

Licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, Carvalho Monteiro tinha como grandes interesses os livros, a ópera, os instrumentos musicais, os relógios, as conchas, as borboletas e as antiguidades. Tinha também o desejo de construir um espaço grandioso, em que vi-vesse rodeado de todos os símbolos que espelhassem os seus interesses e as suas ideologias. Esse espaço encontrou-o em Sintra, um local que Monteiro considerava representar a essência de Portugal, uma espécie de baluarte da alma lusitana. Assim, decidiu comprar a Quinta da Regaleira (propriedade de uma rica família de comerciantes do Porto agraciados com o título de barão) por 25 contos de réis.

Cinquenta anos mais tarde, já com as características actuais, a quinta foi vendida a Waldemar D'Orey que, sem ter desvirtualizado o que tinha sido concebido com tanto método, procedeu a pequenas obras que lhe permitissem acolher a grande família que tinha. Em 1987 a Quinta da Regaleira passa a ser propriedade da empresa japonesa Aoki Corporation, entrando num pe-ríodo de dez anos de plena inactividade.

Em 1997, dois anos depois de Sintra ter sido classificada Pa-trimónio Mundial, a Câmara Municipal adquire este valioso património, iniciando pouco depois um exaustivo trabalho de recuperação do património edificado e dos jardins. Uma vez concluídas as obras, a quinta foi finalmente aberta ao público como centro de actividades culturais.

Artes, artífices e estilos
Mas regressemos à história da Regaleira. O arquitecto escolhido por Carvalho Monteiro para a concepção da Regaleira foi o italiano Luigi Manini, que trouxe para trabalhar consigo os mestres coimbrãos, formados na prestigiada Escola Livre das Artes e Desenho. Arquitecto, pintor e cenógrafo, Manini veio para Portugal em 1876 para trabalhar no Real Teatro de São Carlos. Tinha trabalhado no Scala de Milão e gozava de muito boa reputação no meio artístico. O seu trabalho na construção do Palácio-Hotel do Buçaco agradou especialmente a Carvalho Monteiro. Porém, não era só nas questões estéticas que Monteiro e Manini estavam de acordo, ambos partilhavam as mesmas filosofias e estas afinidades foram determinantes para o desenvolvimento do projecto de concepção da Quinta da Regaleira.

O início das obras deu-se em 1898 com a adaptação da Casa da Renascença (actual sede da Fundação CulturSintra) para residência do casal Carvalho Monteiro. Seguiu-se a remodelação das cocheiras, depois a construção da capela e, finalmente, a edificação do palácio. Durante todas estas obras, até 1910, o trabalho dos artífices de Coimbra foi exclusivamente dedicado a Carvalho Monteiro, sendo a maioria das peças artísticas trabalhada na oficina de João Machado e depois enviada para Lisboa por comboio.

Da conjugação dos sonhos de Carvalho Monteiro com as artes de Manini e dos artesãos da pedra, nasceu um edifício arquitectonicamente muito rico num misto de estilos e de grande originalidade. Traços manuelinos são visíveis na utilização de ornamentos como cordames, elementos vegetais, esferas armilares e colunelos torsos, sendo utilizados uma série de novos elementos como animais e espécies antropomórficas, símbolos esotéricos relacionados com a alquimia e a maçonaria, revelando as ideias e convicções de Carvalho Monteiro.

O grande mentor da Regaleira era um homem conservador, monárquico e cristão gnóstico e, como tal, adepto de uma arte simbólica, com o objectivo de ressuscitar o passado. A predominância do estilo neomanuelino e a recorrência a elementos do sobrenatural e do sagrado não é mais do que o assumir a nostalgia dos tempos gloriosos e ricos dos descobrimentos. Neste mesmo contexto, a Arte Gótica é escolhida como a mais representativa da Quinta. Baseada na repetição de linhas geométricas e na forma ogival das abóbadas e dos arcos, sugere, para além dos objectos reais, os seres e animais estranhos que povoam os nossos sonhos e pesadelos. Castelos em ruínas, florestas sem saída, mansões com alas desertas e corredores escuros, criptas ocultas e subterrâneos húmidos, passagens secretas e portas interditas através das quais se adivinha a presença dos espíritos, são os ingredientes es-
senciais do cenário gótico que tão bem representado está na Quinta da Regaleira.

O romantismo dos jardins e a magia do poço

A

Entrada dos Guardiães e Terraço Celeste.
B
Poço iniciático, uma galeria subterrânea em espiral, por onde se descem nove patamares até às profundezas da terra.
C
Capela da Santicima Trindade, com uma magnifica fachada que aposta no revivalismo do gótico e do manuelino.
D
Lago dos Cisnes e Banco 515, na Gruta da Catedral.
E
A Torre da Regaleira, foi construida para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.

A visita a todo este universo começa junto ao chamado Patamar dos Deuses, terraço onde estátuas de vários seres divinos estão alinhadas ao longo do caminho. Daqui parte-se para uma visita ao interior dos jardins onde a cada momento o visitante é surpreendido por lagos, fontes, torres, terraços, grutas e muitos elementos simbólicos.

Românticos de concepção, os Jardins da Regaleira são construídos sobre socalcos e constituídos por uma mistura de plantas e árvores, trazidas das mais variadas partes do globo, que foram integradas de forma harmoniosa com a vegetação autóctone. O passeio pelos jardins e pelo bosque faz-se por caminhos de ascensão, partindo das zonas delicadas e subindo até à floresta espontânea, onde a vegetação é plantada sem ordem aparente, tão ao gosto da sensibilidade romântica vigente durante o século XIX.

A certa altura do percurso surge, num dos lugares mais bonitos da mata, um aglomerado de pedras que esconde uma disfarçada porta de pedra. Essa porta transporta-nos para um dos locais mais impressionantes da quinta - o fantástico poço iniciático, que, como se fosse uma torre invertida, nos leva ao interior da terra. De quinze em quinze degraus descem-se os nove patamares circulares do poço, recriando o ritual em que se descia ao abismo da terra ou se subia em direcção ao céu, consoante a natureza do percurso iniciático escolhido. Os nove patamares aludem aos nove círculos do Inferno, às nove secções do Purgatório e aos nove céus do Paraíso, que Dante consagrou na Divina Comédia. Lá no fundo, a carga dramática acentua-se. Gravada em embutidos de mármore em tons rosa, sobressai a grande cruz dos Templários, aliada a uma estrela de oito pontas, afinal o emblema heráldico de Carvalho Monteiro. É neste último patamar que entramos num conjunto de grutas que nos conduzem ao exterior, em autênticos labirintos, pelo mundo subterrâneo, aqui e além porventura povoado de morcegos. De construção artificial, na sua maioria, estas galerias aproveitam, no entanto, as características geológicas da mancha granítica da Serra de Sintra. Uma vez cá fora, espera-nos a luz e um cenário habitado por animais fantásticos, cascatas de água e passagens de pedra que parecem flutuar à superfície dos lagos.

Depois da experiência marcante de atraves-sar caminhos tão místicos, o passeio continua, cada vez mais deslumbrante até chegar à Capela da Santíssima Trindade. De nave única, este templo segue a mesma linha decorativa que reveste o palácio, assentando, sobretudo, no revivalismo do gótico e do manuelino. Mas a Capela revela uma outra surpresa, escondida de olhares menos atentos. Umas escadas estreitas situadas à entrada do lado direito descem em espiral até à cripta. Trata-se, na verdade, de outro templo, de decoração despojada, com pavimento revestido a mosaico em xadrez preto e branco, um local imerso na escuridão, proprício à meditação e à comunhão com os mortos.

Muito perto e um pouco mais acima, encontra-se finalmente o palácio de onde se tem uma vista soberba do vale por onde se estendem os jardins, da Serra e do Palácio da Pena. O monograma de Carvalho Monteiro destaca-se na fachada do edifício, todo ele ligado por cordas, nós, laçadas e frisos, num manifesto recurso aos elementos típicos do estilo manuelino.
A arte gótica impele-nos a olhar para cima. O edifício desafia as leis da gravidade e prolonga-se em direcção ao céu, numa sucessão de capitéis, gárgulas e pináculos ogivais, muitos deles quase imperceptíveis.
A visita termina no interior do palácio, onde se destaca o lindíssimo pavimento polícromo de mosaico veneziano. Riquís-simo nos seus ornamentos, o palácio alberga actualmente uma exposição dedicada à colecção de objectos maçónicos de José Eduardo Pisani Burnay, um dos mais importantes acervos mundiais do género, constituído por mais de 600 peças
.

 
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