D
O S S I E R

Moçambique
seduz pela diversidade cultural, a beleza da paisagem e a simpatia
tranquila das suas gentes. Maputo, Pemba e Bazaruto, os destinos que
lhe propomos, são apenas uma pequena amostra do colorido deste
país. Verdadeiros arco-íris de sensações.
Tesouro
do índico. Assim era aclamado Moçambique nas décadas
de 50 e 60 devido à beleza das suas praias – de areias
brancas banhadas por águas cálidas a perder de vista
–, diversidade de paisagens naturais, cidades de admirável
arquitectura colonial, gastronomia gulosa, gentes de espírito
aberto e múltiplas simpatias. O destino favorito de férias
dos sul--africanos e de uma elite europeia em busca de um estilo
de vida descontraído, de exotismo e do ardente clima africano.
Meio
século passado, e apesar da guerra civil que assolou o país
pouco após a independência política, em 1975,
e se prolongou até 1992, a riqueza da paisagem mantém-se,
assim como o sorriso das gentes, fácil e rasgado. E se, apesar
do sólido clima de paz, nos pólos urbanos, caóticos,
são visíveis as consequências nefastas (sobretudo
sociais, mas também nos edifícios arruinados) dos
conflitos armados, a orla marítima parece ter escapado incólume
à fúria humana.
Indiferente, o Índico insiste em banhar as suaves areias
com a delicadeza dos oceanos mornos, coqueiros e mangais permanecem
ao longo de quilómetros junto à costa, pequenos barcos
casca de noz fazem-se ao mar num gesto repetido desde há
séculos, enquanto bandos de flamingos dão cor e movimento
a paisagens que parecem arrastar-se num ritmo descompassado de tão
lento, perante a avidez natural do viajante.
Moçambique aos poucos refaz-se. Parece ter ultrapassado o
período de ressaca, em que, desejoso de esquecer o passado,
não conseguia imaginar o futuro. Do país suspenso
no limbo descrito por Mia Couto em Terra Sonâmbula já
se espantaram alguns fantasmas e emergiu a vontade e a capacidade
de abrir as fronteiras e criar condições propícias
ao investimento estrangeiro, em particular no sector do turismo.
E não é para menos. O seu vasto território
reúne, neste domínio, condições invejáveis,
tais como: 2500 quilómetros de costa banhada por águas
cálidas em prodigiosos tons de verde e azul, dezenas de ilhas
rodeadas por magníficos corais, praias semivirgens de areias
finas, um clima que varia entre o tropical a Norte e o subtropical
a Sul, e uma imensa área no interior coberta por matas de
acácias e messassa, florestas subtropicais e pradarias de
gramínea, espaços privilegiados para a observação
de aves e animais selvagens no seu habitat natural.
Zonas
protegidas como o Parque Nacional da Gorongosa, as Reservas de Zinave
e Bahine, o Parque Nacional do Niassa, junto à fronteira
com a Tanzânia, e a Reserva de Elefantes, em Maputo, ou o
Arquipélago de Bazaruto (o único a dispor de infra-estruturas
turísticas) exigem, por enquanto, aos exploradores uma boa
dose de espírito aventureiro e de desenrasque, mas garantem,
por outro lado, oportunidades únicas para desfrutar de todo
um ecossistema em estado ainda selvagem.
Não se pense, porém, que é apenas a abundância
de santuários naturais que surpreende: este país reúne
um verdadeiro caldo de culturas, próprio dos territórios
belos, ricos e... cobiçados.
Os primeiros humanóides fixaram-se em território moçambicano
há cerca de dois milhões de anos, mas pensa-se que
as primeiras grandes movimentações terão começado
com os povos banto no século I d.C. Em meados do milénio
chegaram indonésios, árabes, indianos e persas, julga-se
que atraídos pelas potencialidades do território,
rico em marfim, ouro e pérolas e pela sua localização
estratégica como entreposto comercial. Até que, finalmente,
surgiram os portugueses no século XV, que, interessados em
dominar a costa moçambicana, onde abasteciam os navios de
ouro e marfim que trocavam por especiarias nas Índias, estabeleceram
alianças com os reinos locais e foram, gradualmente, expulsando
os árabes. Nos séculos seguintes estenderam o seu
domínio ao interior do país, até se instalarem
definitivamente por todo o território, no século XIX,
após a Conferência de Berlim.
Estas
civilizações deixaram as suas marcas ao nível
da linguagem (principalmente o Português, a língua
oficial) e da religião (o catolicismo e o islamismo são
professados por cerca de metade da população), na
arquitectura dos centros urbanos, no vestuário e até
nas técnicas agrícolas e piscatórias. Vestígios
entretanto mesclados com a cultura das tribos africanas, que mantêm,
além de costumes seculares – como os rituais de iniciação
–, os seus dialectos próprios (13 são reconhecidos
oficialmente, mas com as variantes incluídas ascendem a quase
uma centena) e a religião tradicional, animista.
Infelizmente,
a guerra civil conduziu à destruição de muitas
comunidades locais, com o deslocamento de milhares de refugiados,
e a orientação marxista do país procurou, após
a independência, diluir as culturas locais em prol de uma
unidade nacional. Destes dois fenómenos resultou uma estrutura
cultural e social um tanto difusa – mas não destroçada
–, baseada sobretudo nas divisões geográficas
e nas variações linguísticas. Pelo que Moçambique,
actualmente com cerca de 17 milhões de habitantes dispersos
por 11 províncias, reúne tanto nos centros urbanos
como nos ambientes rurais uma curiosa e concertada mistura de influências
árabes, africanas e europeias, que lhe conferem uma atmosfera
única em toda a África Austral.
Nuances que, por sua vez, variam consoante a província, a
aldeia e a etnia que as absorveu e que, garantimos, não deixam
seja quem for indiferente.
Agradecemos
a colaboração dos hotéis Rani Africa e da LAM-Linhas
Aéreas de Moçambique
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