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   XLRotas & DestinosEm Destaque > Istambul

D E S T A Q U E Dezembro de 2008   
   
Istambul nem sequer é capital do seu país, mas é cada vez mais uma verdadeira capital europeia. Será isto uma virtude ou um defeito? O mais importante é que a sua essência (seja lá o que isso for) continua lá. Nas ruas, nas pessoas, nas mesquitas, no Mar de Mármara e no Bósforo. O Velho Continente precisa de uma cidade assim

Texto de João Ferreira Oliveira | Fotografia de Manuel Gomes da Costa
   

P U B L I C I D A D E
Querem ou não os turcos fazer parte da União Europeia? O assunto está na ordem do dia e as pessoas não hesitam em comentá-lo. Contudo, o ângulo de abordagem é menos linear do que aquilo que se possa pensar. Emre, um turco de classe média, sorriso provocador e ironia refinada, lança os dados: “Mais do que ser a Turquia a entrar na União Europeia, deveria ser a União Europeia a querer fazer parte da Turquia”. Nacionalismo? “Não, não, não. Eu sou daqueles que acha que será positivo que o país se alie cada vez mais à Europa. Mas não pode ser de qualquer forma, a todo o custo. Como se a União fosse o pote em que estão concentradas todas as virtudes. Económicas, históricas e sociais. Nós tempos muito a aprender convosco, mas é preciso perceber que o contrário também é verdade. Pela nossa História, localização geográfica e potencialidades económicas não merecíamos ser olhados com tanta desconfiança. Istambul é um bom exemplo. Quantas cidades desta dimensão e com esta diversidade conhece na Europa?”. Boa questão.

Tal como uma rua ou um bairro não podem ser a representação fiel de uma cidade, uma cidade não pode ser a imagem acabada de um país. Mas é uma amostra importante. Neste caso, porventura, a mais importante. Afinal de contas, é aqui que vivem cerca de 15 dos seus 70 milhões de habitantes.
A bandeira turca está presente um pouco por toda a cidade; na pág. ao lado: a Mesquita Azul e os seus seis famosos minaretes; restaurante do Hotel W, em Besiktas; o moderno restaurante Longtable, no interior do Sofa Hotel, e entrada para a Mesquita Azul. Nas páginas anteriores: Mesquita Azul e o Bósforo

A grande virtude da Europa
é precisamente o seu maior defeito:
a homogeneidade. não se perderá
nesta “União” de corpos? A alma
turca pensa em grande, mesmo
quando o objectivo é uma tendência
para a ocidentalização. a antiga capital
dos impérios bizantino e otomano não
se contentaria em ser uma imitação

Emre sabe que tem razão. Há, de facto, poucas cidades no Velho Continente com esta dimensão. Seja pelo seu tamanho propriamente dito, pela História, tradições ou surpreendente modernidade, mas sobretudo pela sua incrível localização, que lhe concede uma aura difícil de igualar. Imagine a vista para o Tejo a partir de Alfama. Agora no lugar do Tejo coloque um braço de mar chamado Corno de Ouro, o Mar de Mármara e ainda o Bósforo – um estreito cujas águas ligam Mármara ao Mar Negro. No fundo, três linhas de água no horizonte, que dividem a cidade noutras tantas partes. Deixe ficar os cacilheiros, mas acrescente um sem-número de barcos, entre eles paquetes de cruzeiro, petroleiros e navios da NATO. Faça de conta que, em vez de ver Almada ou o Seixal, está a olhar para a Ásia e, para terminar, imagine dezenas de mesquitas que se elevam acima dos edifícios. A olho nu, é mais ou menos isto que a vista pode alcançar em Istambul.

Pré-conceitos
Confesso que parti com alguns pré-conceitos (não confundir com preconceitos) em relação à Turquia, a Istambul e ao povo turco. Com ideias algo ambíguas. A imagens de uma cidade caótica, gigante e demasiado suja, contrastava com os relatos da sua beleza. Qual das duas seria verdade? Ou seriam ambas reais?

A caracterização do seu povo era outro dos mistérios. Num país maioritariamente muçulmano seria de esperar uma sociedade machista, umbilicalmente agarrada às tradições e à religião, mas o estado laico expresso na figura de Mustafa Kemal – baptizado de “Atatürk” (Pai dos Turcos) tornou-se um exemplo para todos. O primeiro Presidente da República e o homem que aboliu o califado, laicizou o Governo e a Educação, concedeu direitos civis às mulheres, introduziu o vestuário ocidental, o alfabeto latino e potenciou o desenvolvimento da agricultura nacional, mas também da ciência e das artes.

Mas existiam ainda outras questões para adensar a ambigui­dade. O eterno conflito dos curdos, um povo sem terra que tantas vezes acusa os turcos de descriminação. A própria liberdade de expressão, que não é um dado adquirido num país que continua a negar o genocídio de cerca de um milhão e meio de arménios durante a Primeira Guerra Mundial – até Orhan Pamuk, prémio Nobel da Literatura em 2006 e uma das figuras maiores do país, já teve problemas com a justiça nacional por ter abordado a questão, acusado de insultar e desacreditar a identidade turca.

Estes cambiantes menos claros da sua História não devem, contudo, e não podem nunca ser um impedimento para desfrutar a cidade em toda a sua plenitude. Bem pelo contrário. É desta dicotomia que a alma turca se parece alimentar. Emre sabe-o bem. “Há quem defenda que a nossa sociedade se tem vindo a desvirtuar. De facto, alguns fundamentalistas estão muito chateados. Existe uma outra facção, que é a minha, que diz que não nos estamos a ocidentalizar em demasia, mas sim a evoluir cada vez mais. Mas, independentemente de uma ou de outra, a essência está cá”, explica-nos. E o que é, na verdade, a essência de um povo? O melhor mesmo é ir procurá-la.

Outrora capital dos impérios bizantino
e otomano, Istambul é uma verdadeira
capital europeia – mesmo não sendo
capital do seu país. O véu e a moda
fundiram-se. A tradição
e a modernidade complementam-se,
mais do que em qualquer
outra cidade do velho continente

Istambul é uma cidade rica em pormenores arquitectónicos; “artesão” de tapetes; empregados do restaurante Longtable; beber chá é um dos hábitos diários dos turcos. As gaivotas e o Bósforo, uma das imagens características da cidade

À procura da essência – parte I
A melhor forma de lá chegar é perguntando. “Desculpe, sabe onde fica situada a essência da cidade?”, pergunto indiscri­minadamente. “Na zona de Sultanahmet”, respondem os mais velhos. “Em Taksim”, respondem os mais novos. Em que ficamos?

Começamos pela primeira, como seria se esperar, o centro histórico, classificado pela UNESCO como Património Mundial. E basta uma passagem de olhos fugaz pelo mapa da cidade para perceber que é aqui que estão concentrados os mais emblemáticos pontos da cidade: a Basílica de Santa Sofia, considerada uma das maiores obras arquitectónicas de todos os tempos; a Mesquita Azul, única no mundo islâmico a possuir seis minaretes; ou o Palácio Topkapi, uma incrível construção otomana, outrora casa dos sultões, que contém das maiores colecções de cristais, prata e porcelana chinesa do mundo.

Aqui cheira a tradição, como seria de esperar, mas também a turismo de massas e a filas de espera com topo gigios saltitantes de máquina fotográfica em punho. Ainda assim, de forma alguma a evitar. É, de facto, e sobretudo, aqui que se respira muito do que foi Constantinopla – antiga capital do império bizantino e, posteriormente, do otomano –, que se compreende a sua magnitude, ancestralidade e força do seu povo. É também aqui se situa o Grande Bazar, o maior mercado coberto do mundo. Já não é como era, dizem-nos. Os ecrãs LCD presos ao tecto, em que se pode aquilatar das promoções existentes em algumas das quatro mil lojas do espaço, provam que “algo” mudou. E onde estão os vendedores que tentam impingir os produtos até ao limite? O trato rude e a barba farta? Se essa era a essência, desiluda-se.

Isto já não é como um dia terá sido, mas é verdade que este mercado ainda guarda muito daquilo que sempre foi. A começar pelo sexo dos vendedores? Homens, pois está claro. A comunicação é difícil, o inglês é, na maior parte dos casos, macarrónico e o português pouco mais é do que uma selecção de futebol, mas o entendimento é mais simples do que seria suposto. Já os preços são locais, por isso, negociam-se, mas os gestos e a simpatia são universais – mesmo não sendo a delicadeza umas das imagens de marca. Não é defeito, é feitio.

Difícil mesmo é processar tanta informação em simultâneo. Há muita gente mas não há caos, cabelos loiros turísticos, mas igualmente muitos véus, muitos produtos que já não são típicos, mas não desaparecem os originais, como os narguilés, as pashminas ou a tapeçaria. A prova desta realidade não poderia ter surgido de forma mais concreta. “Mas os tapetes são mesmo verdadeiros?”, pergunto ao vendedor enquanto partilhamos um chá de menta – uma das bebidas mais consumidas pelos turcos –, ritual que a maior parte cumpre “religiosamente” cerca de 10 vezes ao dia. A resposta não surge, apenas levanta o dedo indicador e aponta para um vulto que fura por entre a multidão. Um homem com cerca de 60 anos, cabelo branco, bigode caprichosamente aparado e uma série de tapetes de pelo rapado (Kilim) ao ombro. “Quem é?”, pergunto.” Que pergunta?! É o fornecedor. Acabou de os fazer, em casa, com a mulher”, responde-me num inglês vitorioso.

Será isto a essência?

O espanto dos visitantes perante a magnitude da Basílica de Santa Sofia.

Parte exterior do 360, restaurante com uma extraordinária vista para a cidade

À procura da essência – parte II
Uma das maiores necessidades do ser humano é a urgência em retirar conclusões. E depois de um dia passado na zona histórica de Sultanahmet há uma que me parece evidente: Istambul não é tão grande nem tão caótica como diziam e, mais do que uma grande metrópole, dá a sensação de ser uma aldeia gigante. “Bastou” uma hora no táxi para chegar até à zona de Taksim, o coração da zona europeia, para perceber a precipitação do juízo. Numa cidade que, como Lisboa ou Roma, está “assente” em sete colinas, a irregularidade do terreno esconde e expõe ruas, bairros e novas Istambul a uma velocidade alucinante. Os número de carros, o sons, o movimento, a dança dos barcos que carregam e descarregam em magotes pessoas do Velho Continente para a parte asiática da cidade são como “um estalo” de cidade real. Tal como reais são reminiscências de uma Europa bem nossa conhecida: do Martim Moniz ao Chiado, dos bairros espanhóis aos franceses, e até réplicas fiéis do cosmopolitismo londrino.

Chegamos finalmente a Taksim, um bairro que poderia ser em Nova Iorque mas que faz todo sentido aqui. Entre as várias ruas circundantes não é difícil perceber a opção a tomar: Istiklal Cadessi. Para melhor pintar a sua real dimensão, voltemos ao “jogo” do início do texto. Imagine a Rua Augusta em Lisboa às cinco da tarde. A forma e o conceito são os mesmos, só que no lugar de meia dúzia de cafés ou de lojas coloque – arrisco – centenas delas, e no lugar de centenas de pessoas coloque milhares.

Imagine a vista para o Tejo a partir
de Alfama. Agora em vez de uma linha de água coloque três. Substitua
os cacilheiros por dezenas de barcos, paquetes de cruzeiro, petroleiros
e navios da NATO. Em vez de olhar
para Almada ou o Seixal veja a Ásia
e acrescente ainda dezenas
de mesquitas que se elevam
acima dos edifícios.
É assim Istambul

Barman do café Smyrna, em Taksim, e uma das muitas ruas que envolvem este bairro; o coração da zona europeia; Universidade de Istambul vista a partir do Bósforo; e vendedor ambulante de maçarocas de milho. Ao lado:  The House Café

Estou, por fim, perante a Istambul verdadeiramente internacional, penso, onde o véu não é uma ciência oculta e os costumes são de todos nós. A conclusão revela-se mais uma vez precipitada. “Olhe que não, olhe que não. Isto ainda é um pouco comercial. Experimentem imiscuir-se nestas ruas paralelas. Aí sim, é tudo mais descontraído. As pessoas não vêm apenas para passear, mas também para ficar. Especialmente à noite. Depois devem ir conhecer as zonas de Besiktas e de Ortaköy” – O conselho chega-nos através dos olhos verdes de uma improvável jovem turca de cabelo loiro, empregada do The House Café, numa cena que, também pelo design e ambiente do espaço, poderia ter-se passado numa qualquer capital escandinava.

Imagem ambígua esta. Se por um lado é reconfortante esta sensação de familiaridade, é igualmente reflexo da cada vez maior homogeneidade europeia. A grande virtude da Europa é precisamente o seu maior defeito. E a alma turca? Não se perderá nesta “União” de corpos? A resposta surge assim que nos deslocamos para a zona de Besiktas e Ortaköy. A alma turca pensa em grande, mesmo quando o objectivo é uma tendência para a ocidentalização, ou seja, esta antiga capital dos impérios bizantino e otomano não se contentaria em ser uma imitação.

A desorganização, o caos e algum lixo dão aqui lugar a um universo completamente novo e antagónico, provando definitivamente que esta cidade tem vários mundos dentro das mesmas portas. O luxo e o bom gosto surpreendem muito mais do que seria espectável. Sucedem-se as lojas de grandes criadores internacionais e os manequins passeiam-se na rua com um à-vontade desconcertante – não se surpreendam se muitas das tendências no mundo da moda vierem a ser ditadas aqui!

As dúvidas dão agora lugar às certezas, desta vez sem margem para erros: esta cidade, que nem sequer é capital do seu próprio país (o peso da responsabilidade foi oferecido a Ankara), é uma verdadeira capital europeia: megalómana, errante, noctívaga, caótica, organizada, luxuosa, histórica, tradicional. Com alma. Com várias almas, mas todas elas suas e verdadeiras.

Se ao final de alguns dias ainda tiver alguma resistência a esta ideia, ou sempre que lhe surja alguma dúvida, embarque num dos muitos “cacilheiros” que constantemente fazem a ligação entre a Europa e a Ásia e... mergulhe. As vozes dos muezins que seis vezes por dia chamam os fiéis para as orações acabarão por trazê-lo de volta à Terra. Conhece alguma cidade europeia em que isso seja possível?

Se não fez ou não viu, não esteve lá
Numa cidade em que é difícil fugir aos clichés, não lhe apresentamos soluções para lhes resistir. Bem pelo contrário, convidámo-lo a assumi-los olhos nos olhos

Passeio de barco
O Bósforo é um sítio mágico. Pela dança de barcos, pela vista que se obtém para a cidade e também pelas histórias que se imaginam já terem navegado nestas águas. É que sem este estreito de localização absolutamente estratégica que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro, muitos dos portos da antiga União Soviética estariam enclausurados, sem ligação ao exterior. As suas margens são também autênticas lições de História e representam um puro deleite arquitectónico, uma vez que estão repletas de mansões otomanas, yalis (casas tradicionais construídas em madeira), hotéis de charme e, claro, muitas mesquitas.

passagem de barco do lado europeu para o lado asiático; almôndegas de borrego grelhadas, um dos pratos típicos do país

Almôndegas de borrego
A comida turca é extremamente rica, mas verdadeiramente saborosos são os seus petiscos e, acima de tudo, as almôndegas de borrego grelhadas (Izgara Köfte), sendo o restaurante Tarihi Sultanahmet, junto à Mesquita Azul, um dos melhores locais para as apreciar. Incontornáveis são também as casas de kebab, ou tem a carne de vaca ou galinha à escolha, sendo que nas ruas são omnipresentes ou vendedores de maçarocas de milho e os simit, anéis de pão rijo cobertos com sementes de sésamo.

Dança do ventre... e sufi
Não poderia faltar, naturalmente. Ao contrário do que se possa pensar já não são assim tantos os locais onde se continuam a praticar as danças tradicionais, mas ainda estão longe, muito longe de desaparecer. A dança do ventre, chamada gobek dans, é mundialmente conhecida e praticada em vários países, mas há ainda o tradicional sufi, uma dança mística em que o bailarino rodopia sem parar até atingir o êxtase. A Torre Galata, ou a Orient House são dois dos locais onde poderá assistir a espectáculos. Veja www.orienthouseistanbul.com

Banho turco
No hotel não conta. O verdadeiro banho turco tem de ser público e o sítio ideal continua ser o Çemberlitas Haman, um dos mais antigos da cidade, fundado em 1584. A experiência sensorial não poderia ser mais intensa: uma arquitectura irrepreensível, uma abóbada que deixa entrar os raios de luz mal o Sol nasce (abre às seis da manhã), temperatura de quase quarenta graus, muita humidade e um banho com massagem e lavagem dadas por um turco de tronco forte e bigode farfalhudo. Um verdadeiro hino (ou teste) à masculinidade.

Sumi de romã... e raki
De facto, parece estranho estarmos aqui a dizer-lhe para experimentar sumo de romã, mas, na verdade, quantas pessoas já o terão feito? Bebido “puro e duro”, natural, sem açúcar, corantes ou conservantes?! Pois é, são vários os locais onde eles existem, mas mesmo para aqueles (como eu) para quem este é um dos frutos preferidos, terão primeiro de avisar ou preparar o estômago para a sua chegada. E nunca, nunca, o faça em jejum.

Se cumprir os requisitos, a experiência é simples (mente) deliciosa.

O raki, claro está, é a bebida alcoólica oficial, com um forte sabor a anis. O ideal é beber com água ou gelo.

“O prazer de navegar no Bósforo, de evoluir no seio de uma cidade tão grande, tão rica e tão historicamente maltratada dá-nos a liberdade e a força do mar profundo, poderoso e animado (...) Esta massa de água que passa no coração da cidade não pode em caso algum ser comparada com os canais de Amesterdão ou de Veneza, nem com os rios que sulcam Paris ou Roma: aqui há corrente, ventos, ondas, profundeza, trevas. Quando somos levados pela corrente, ou quando começamos a ser arrastados de lado, como um caranguejo, direitos ao vapor das linhas urbanas, então Istambul desfila à nossa frente”.
Orhan Pamuk (Prémio Nobel da Literatura 2006),
in Istambul – Memórias de uma cidade


A localização geográfica de Istambul é uma das suas características mais entusiasmantes. Aqui é o ponto de confluência entre o Mar de Mármara e o Bósforo, dando origem a um pequeno braço de mar chamado Corno de Ouro

Mesquita azul,  Santa Sofia e Palácio Topkapi
Ficam situados na parte histórica da cidade, por isso o ideal é visitá-los todos na mesma altura. Sem querer avaliar qual é o mais grandioso, se tiver de excluir algum que não seja a Basílica de Santa Sofia, ou Hagia Sofia. Construída por Constantino no século IV e mais tarde transformada em mesquita, é uma obra sumptuosa que possuiu uma nave com 56 metros de altura, repleta de mosaicos bizantinos e excertos do Alcorão desenhados em escudos gigantes suspensos no tecto. Aqui raramente se reza, ao contrário da Mesquita Azul, famosa pelos seus minaretes, que todos os dias, além dos turistas, recebe os fiéis para as suas preces. No Palácio, um espaço gigante, casa dos sultões durante mais de quarenta anos, pode encontrar jardins, jóias otomanas, importantes relíquias para os muçulmanos, como o manto ou as espadas de Maomé, e a segunda maior colecção do mundo de porcelana chinesa.

interior da Mesquita Azul; o Grande Bazar, o maior mercado coberto do mundo

Torre Galata
Há vários restaurantes com terraços que prometem uma vista ímpar sobre o tecto da cidade e os mares que a banham, mas nenhum deles oferece o mesmo que a Galata, em Galatasaray, torre construída em 1348 para vigiar Istambul perante o perigo iminente de novas invasões e consequentes conquistas. Basta subir para perceber a razão. Uma vista de 360º sobre a cidade que postal algum consegue reproduzir. Vá lá ao final da tarde e fique até que a cidade se enfeitice com as suas 1001 luzes. Tem restaurante e possibilidade de assistir a espectáculos da dança.

Restaurante Reina
Já foi dito que uma das maiores características da cidade é a sua dimensão, facto que faz com que haja sempre algo de novo para descobrir. Ou que fica por descobrir.

Nós tivemos a sorte/azar de encontrar este restaurante já as malas estavam feitas para o regresso. À falta de imagens, fica na memória um espaço ao ar livre, rodeado de espelhos de mobiliário branco, de frente para os Bósforo, a escassos metros de uma ponte gémea da nossa 25 de Abril e de peito aberto para a Ásia. Chama-se Reina e fica em Ortaköy. É caro, mas vale a pena a visita, nem que seja para beber um raki.

O grande bazar… e os outros
Este é apenas o maior e o mais conhecido, com cerca de quatro mil lojas e onde a tradição turca ainda é quase o que era (não se esqueça de negociar sempre os preços), mas há vários outros mercados. O Mercado das Especiarias é outro dos mais entusiasmantes, outrora zona de transacção dos produtos vindos do Oriente e o local onde pode encontrar os mais tradicionais produtos turcos em termos gastronómicos, além de diversos tipos de especiarias, ervas, chás, produtos naturais, exóticos e afrodisíacos. O Mercado do Peixe, em Galatasaray, é outro dos ex-líbris. Já os amantes das letras podem procurar o Bazar do Livro, junto da Universidade de Istambul.


“Pela nossa História, localização geográfica e potencialidades económicas não merecíamos
ser olhados com tanta desconfiança. Istambul é um bom exemplo.
Quantas cidades desta dimensão
e com esta diversidade conhece
na Europa?”
São muitos os edifícios como este que ainda pode encontrar pela cidade. No centro histórico ainda é possível encontrar pequenas ruas pitorescas; a Basílica de Santa Sofia com a Mesquita Azul ao fundo; o uso de véu é obrigatório nas mesquitas

COMO IR
A Turkish Airlines (www.thy.com) voa directamente de Lisboa para a Turquia a partir de €508.

GEOGRAFIA
A Turquia é um país constituído por uma pequena parte europeia, denominada de Trácia, e por uma grande parte asiática, denominada de Anatólia, sendo no Velho Continente que se situa a maioria do território de Istambul. O Bósforo, um estreito que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro, separa o lado europeu do lado asiático, mas o acesso é fácil, pois há várias pontes a unir os dois lados e barcos que fazem frequentemente a ligação. A Turquia faz fronteira com oito países: Bulgária, Grécia, Síria, Irão, Arménia, Azerbeijão, Iraque e Geórgia.

INFORMAÇÕES ÚTEIS
Formalidades: é necessário passaporte e visto de entrada, ainda que por €10 este possa ser adquirido à chegada ao aeroporto.
Moeda: lira turca. 1 euro = 0,519228676 liras turcas
Diferença horária: mais duas horas do que em Portugal Continental.
Indicativo: 0090
Vestuário: a temperatura é semelhante à portuguesa, por isso nesta altura do ano o agasalho é essencial, sobretudo à noite.
Custo de vida: nem é caro nem barato. No fundo é uma cidade semelhante a Lisboa. Nos sítios mais populares os produtos e, essencialmente, as refeições são ligeiramente mais baratas, mas basta elevar a fasquia para que os preços sejam iguais ou superiores. Tanto pode jantar por €15 por pessoa, ou gastar facilmente €50 por pessoa num restaurante com vista para o Bósforo.

DICAS
Apesar de Istambul ser enorme, andar a pé é uma das melhores opções para conhecer a cidade. Apenas precisa de alguma frescura física, pois, tal como Lisboa, possui sete colinas. Outra das boas opções é o eléctrico. Quanto aos táxis não são muitos caro e são omnipresentes. Uma passagem de barco é também essencial. Se não quiser fazer um passeio turístico pode sempre optar por embarcar nos que fazem a ligação regular entre as duas partes da cidade. Quanto à língua, vá preparado para alguma dificuldade.
As indicações estão quase todas em turco e o inglês ainda não é a língua universal, sobretudo fora das classes mais jovens.

ONDE FICAR
São várias as opções de alojamento na cidade, desde sítios de qualidade internacional apenas ao alcance de carteiras mais recheadas, hotéis de charme sem serem muito dispendiosos, a hotéis em conta com as condições indispensáveis. Independentemente do preço, quase todos eles têm uma característica comum: a vista. Para quem preferir ficar mais recatado, o ideal será ficar na parte velha da cidade.

Hotel Poem, tel. 0090 212 638 9744, www.hotelpoem.com
É uma das opções mais em conta. Os preços começam nos €45 em quarto single, um quarto duplo custa €70 e têm ainda quartos triplos à disposição, por €80. Tudo com pequeno-almoço incluído, Internet grátis e os serviços mínimos garantidos, entre eles limpeza e bom atendimento. Por este preço, quase raro numa cidade como esta, consegue ainda ter uma elevada dose de romantismo, graças à imensa vegetação que o rodeia e à vista para o Mar de Mármara. Fica situado na zona histórica, junto à Mesquita Azul, a Santa Sofia e ao Palácio de Topkapi.
Four Seasons, tel. 0090 212 516 6980, www.fourseasons.com/Istanbul
Igualmente situado na zona histórica da cidade, é um dos seus hotéis mais exclusivos, com o tradicional selo de qualidade da marca. Tem ainda um atractivo extra, que é o facto de ter sido construído numa antiga prisão.
Preços por noite a partir de €400 por pessoa.
Lush Hotel, tel. 0090 212 243 9595, www.lushhotel.com
Situado junto de Taksim, onde a pulsação da zona europeia é mais vibrante, é uma excelente opção em termos de preço/qualidade. Declaradamente jovem e irreverente com um toque fashion, tem ainda assim quartos para todos os gostos, credos e idades. Decorações personalizadas que vão desde quartos com inspiração tradicional turca até outros com design contemporâneo.
Preços por noite a partir de €130 por pessoa.
W, tel. 0090 212 381 2121, www.starwoodhotels.com
Recentemente inaugurado, é um dos hotéis mais modernos e estilizados da capital. Fica situado na zona de Besiktas, a mais rica da capital. O ambiente e o atendimento merecia mais descontracção. Peca por algum snobismo.
Sirkeci Konak, tel. 0090 212 528 4344, www.sikercigrouphotels.com
Situado na parte histórica, tem um serviço irrepreensível e um bom restaurante. Preço por pessoa em quarto duplo a partir de €170.

A comunicação é difícil, o inglês
é, na maior parte dos casos, macarrónico e o português pouco
mais é do que uma selecção
de futebol, mas o entendimento
é mais simples do que seria suposto.
Já os preços são locais, por isso, negociam-se, mas os gestos
e a simpatia são universais – mesmo não sendo a delicadeza umas
das imagens de marca.
Não é defeito, é feitio
Hotel Poem Lush Hotel

ONDE COMER
Tarihi Sultanahmet Koftecisi, Divanyolu Caddesi (junto à Mesquita Azul)
Não queremos impor o menu, mas aqui a escolha é simples: almôndegas de borrego grelhadas (Izgara Köfte), acompanhadas por salada mista e feijão branco.
É chegar, pedir e comer... e repetir.
360, tel. 0090 533 691 03 60, www.360istanbul.com
Há quem diga que é muito turístico – é verdade que se vêem muitos clientes estrangeiros – mas é de visita obrigatória, seja para um aperitivo de final de tarde, para jantar ou para dançar – já que vira bar. Situado no topo de um edifício da zona de Taksim, tem um vista sobre a cidade de quase 360º– daí o nome. A cozinha é contemporânea.
Reina, tel. 0090 212 259 59 19, www.reina.com.tr
Valeria a pena lá ir apenas pela localização: em Besiktas, de frente para o Bósforo, a escassos metros da água e quase debaixo da ponte. Um sítio que parece a extensão do mar, ou vice-versa, em que na decoração domina o branco.
Se a chuva não aparecer, opte por jantar no exterior. A comida é internacional, com excelentes saladas, pratos mediterrânicos e alguns tradicionais turcos com um toque contemporâneo.
1897 Konyali, tel. 0090 212 227 4243, www.1897konyali.com
Situado na zona de Besiktas, é um restaurante com mais de 100 anos e o que melhor mistura a tradição com a modernidade. O ambiente é sofisticado, embora sem nunca perder a sobriedade. A cozinha é tradicional.
The House Café, www.thehousecafe.com.tr
Existem vários espalhados pela cidade e são uma das mais interessantes opções para uma refeição leve, seja uma sopa, salada ou uma pizza.
Kitchnette, www.kitchenette.com.tr
O conceito é em tudo semelhante ao anterior, talvez ligeiramente mais em conta.
Longtable, tel. 0090 212 368 1818, www.thesofahotel.com
Fica no Sofa Hotel mas funciona de forma independente e surpreendente. Possuiu uma sala com uma decoração desconcertante, que mistura pormenores clássicos com cartazes da Playboy e um magnífico terraço interior.

Para mais informações
Consulte o site oficial do turismo de Istambul. www.istanbul.com

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