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ver estrelas em Masai Mara
[Quénia:
A ver estrelas em Masai Mara]
Satisfeitos,
decidimos dar por encerrado o safari da manhã. Passava pouco
das nove e estava na hora de voltar ao acampamento para nos regalarmos
com um pequeno-almoço "à séria",
com tudo a que tínhamos direito. Só que nem imaginávamos
o que nos esperava. Graças à cumplicidade dos nossos
eficientes guias-motoristas, o hotel havia-nos preparado uma fabulosa
surpresa: em plena savana, uma mesa repleta de iguarias com o respectivo
séquito de cozinheiros e empregados à nossa disposição
(sem esquecer os batedores masai, de sobreaviso para o caso de aparecer
uma "visita" inesperada)... E nem mesmo faltou o
champanhe de boas-vindas para nos aumentar a sensação
de estarmos a sonhar acordados. Ah, se todas as manhãs da nossa
vida fossem assim... e aquela vista deslumbrante!
O resto do tempo, já no acampamento, foi aproveitado para uma
pausa retemperadora, que cada um tratou de gerir a seu belo prazer.
Assim, uns trataram de se recolher na intimidade das suas tendas,
ao passo que outros procuraram refúgio junto da piscina. Quanto
a mim, resolvi aproveitar a trégua concedida até ao
almoço para explorar melhor o acampamento o paisagismo
tem ali uma componente muito forte, já que em zonas de reserva
é proibida a construção de complexos hoteleiros
que agridam o meio envolvente e tirar algumas fotografias aos
fugidios, e algo ariscos, babuínos que se deliciam nos imensos
relvados "à inglesa".
Depois
do almoço, por volta das 15h30, a recepção do
acampamento encheu-se, de novo, de vários grupos com máquinas
a tiracolo e câmaras de filmar na mão. Estava,
pois, na hora do safari da tarde, que viria, no entanto, a decorrer
sem grandes novidades. É que, apesar de todas as manobras do
incansável Chris, os assustadiços leopardos não
deram o ar da sua graça e a nossa lista dos Big Five ficou,
por isso, incompleta.
De resto, houve animais selvagens com fartura bem como outras
espécies exóticas, ou seja, americanos trajados da cabeça
aos pés com indumentárias "glamour colonial"
da Banana Republic e um momento muito alto: a passagem de um
leão e duas leoas, impávidos e serenos, mesmo junto
à nossa
carrinha. Foi o frisson do dia. A seguir, e como a tarde já
ia alta (é proibido ficar nas reservas depois das 18h30), resolvemos
aproveitar o tempo que nos restava para assistir ao famoso pôr
do Sol africano. Mais uma vez, Chris não se poupou a esforços
para colocar a carrinha no melhor ângulo para as fotografias
da praxe. Infelizmente, o tempo mudou sem aviso prévio, pelo
que, verdade seja dita, não tivemos direito a um pôr
do Sol digno de cartão postal, daqueles em que o céu
pega fogo e se deixa inundar por um tom laranja incandescente.
Em vez disso, a linha do nosso horizonte ficou raiada de púrpura
e rosa e a penumbra abateu-se sobre a silhueta delicada das thorn
trees estas árvores, semelhantes a bonsais gigantes,
são um ex-líbris das savanas africanas , criando
um momento de rara beleza que nos fez esquecer a decepção
e nos tirou as palavras da boca. Posto isto, regressámos, reconfortados,
ao nosso acampamento sem mais demoras.
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